sexta-feira, 29 de julho de 2016

O QUE É NEUROPSICANALISE

O objetivo deste trabalho é tratar da #NPSA - neuro-psicanálise, um novo método científico que consiste em combinar dois métodos já existentes, ou seja, um método que busca integrar, sobre uma base empírica, a psicanálise e a neurociência.

O início de movimentos, ainda tímidos, por parte de psicanalistas que ousavam contrariar a orientação das instituições psicanalíticas de buscar estudar as possíveis correlações entre os conceitos, os achados da psicanálise com as descobertas da neurociência, ocorreu na Década do Cérebro.

Data de 1994 a fundação do grupo de estudos de neurociência e psicanálise no Instituto de Psicanálise de Nova York, quando os psicanalistas, encabeçados por Arnold Pfefer, buscaram em neurocientistas da Universidade de Columbia como James Schwartz, os conhecimentos neurocientíficos que pudessem correlacionar com seus conhecimentos psicanalíticos.

Iniciava-se um intercâmbio de informações e conhecimentos entre psicanalistas e neurocientistas.

À essa época, em diversos pontos do mundo como em Frankfurt, Viena, Londres, Bruxelas e São Paulo, existiam psicanalistas que sozinhos ou em grupos buscavam estudar as possíveis correlações entre as duas ciências.

Somente em 1994, foi apresentado um trabalho sobre o assunto num evento psicanalítico, a Bienal da Psicanálise de 1994.

Em 1996, Mark Solms, psicanalista inglês com formação em neurociência, que vinha trabalhando em Londres e publicando trabalhos sobre o assunto desde a década de 1980, foi convidado pelo Instituto de Psicanálise de Nova York para coordenar o grupo de estudos de neuro-psicanálise.

Com o aumento de psicanalistas e de neurocientistas interessados nos estudos das correlações das duas disciplinas que beneficiavam as duas entre si, resolveu-se, sob a coordenação de Arnold Pfeffer e Mark Solms, fundar uma sociedade que congregasse esses psicanalistas, neurocientistas, solitários ou organizados em grupos, e que pudesse ser um pólo de orientação, atualização e de trocas.
Assim, em julho de 2000, em Londres, durante a realização do I Congresso Internacional de Neuro-Psicanálise, um comitê fundador que foi constituído com as lideranças de diversos pontos do planeta, fundou a Sociedade Internacional de Neuro-Psicanálise. O representante brasileiro no comitê fundador, criou o Centro de Estudos e Investigação em Neuro-Psicanálise de São Paulo que integrou o conjunto de grupos pelo mundo que compunha as bases da nova Sociedade.

Para compreender a proposta metodológica da neuro-psicanálise é interessante esclarecer as razões pelas quais Freud, sendo neurologista, criou a psicanálise que, em essência, é um método psicológico para dar significados aos processos mentais sem, no entanto, perder o vínculo com a neurologia, e sem perder a esperança de que um dia a psicanálise voltaria a se unir à neurologia, quando esta tivesse alcançado um grau de desenvolvimento e oferecesse conhecimentos que faltavam naquela época.

No tempo de Freud, a neurologia ainda era uma disciplina relativamente nova, e tinha incorporado da medicina interna o método anátomo-clínico, que consistia nos levantamentos dos sinais e sintomas clínicos das doenças para buscar a confirmação anátomo-patológica nas autópsias. Isto queria dizer que o clínico fazia as hipóteses diagnósticas das doenças através dos sinais e sintomas, e só tinha a comprovação quando o paciente era submetido à autópsia.

Com o decorrer do tempo, em face das experiências anátomo-clínicas, os clínicos através dos sinais e sintomas inferiam as lesões anatômicas das doenças.

A escola germânica privilegiava, acima de tudo, os achados anátomo-patológicos, e assim os sinais e sintomas não explicados pelas lesões anatômicas eram desconsiderados. Por esta época, os neurologistas estavam às voltas com algumas doenças como histeria, neurastenias que, apesar da exuberância dos sintomas – por exemplo, paralisias de membros – os patologistas nada encontravam nas autópsias para justificá-las. Trabalhando neste método, Freud se deu conta de suas limitações.

A escola francesa, tendo Charcot como figura central, atraiu a atenção de Freud, que foi fazer um estágio com ele, em 1885-86, para tomar contato com o que também era método anátomo-clínico, mas que privilegiava os sinais e sintomas, obtidos na observação meticulosa. Ou seja, estes não eram rejeitados, mesmo que não se encontrassem os substratos anatômicos na autópsia. Esta postura de Charcot teve uma influência marcante em Freud, que passou a praticar essa modalidade de método clínico quando retornou a Viena. Charcot tinha uma hipótese de que as lesões não surgiam nas autópsias porque eram de natureza fisiológica, e de origem hereditária, e que eram micropatologias que o desenvolvimento da técnica no futuro iria evidenciar.

Com a experiência prática, e sob a influência do neurologista inglês Hughlings Jackson, Freud começou a se dar conta de que essas manifestações não apareciam nas autópsias por serem fenômenos de natureza psicológica e, por outro lado, não se encerravam em localizações restritas em centros no cérebro. A época marcava o auge do localizacionismo em face dos achados de Broca e Wernicke.

Diferentemente do aceito, para Freud as funções ocorriam não em áreas localizadas, mas na interação dinâmica de diversas áreas que correspondiam a funções complexas. Freud deu-se conta desses aspectos ao estudar a afasia e as perturbações de movimentos voluntários e não funções psicológicas.

Na medida que avançava nas observações da histeria e outros quadros mentais, mais fortalecia a convicção de que, na realidade, se tratavam de questões de funções de natureza psicológicas, que ocorriam na dinâmica de interações de diversas áreas cerebrais, que nunca seriam detectadas pela anatomia patológica.

Em 1895, Freud fez com o Projeto para uma psicologia científica, sua última tentativa de construir um esquema dinâmico de funcionamento neurológico, com elementos que eram produtos de suas conjecturas, imaginações, pois as concepções neurológicas vigentes não tinham alcançado um desenvolvimento necessário para ancorar suas hipóteses funcionais. Por essa época, Freud se dava conta de que podia estudar as funções psíquicas pela observação clínica acurada, sem conjecturas e imaginações, buscando na dinâmica psíquica em si a explicação que a dinâmica neurológica não podia oferecer, mas deveria existir e seria conhecida com o desenvolvimento da neurobiologia. Aí surgiu a psicanálise com a sua metapsicologia.

Hoje, a tendência natural tanto dos neurocientistas como dos psicanalistas, no primeiro momento, é buscar uma correlação isomórfica entre os conceitos psicanalíticos e neurocientíficos, o que causa uma simplificação errônea, que não leva em conta as características das duas ciências.

A partir de 1939, principalmente com o trabalho de Alexander R. Luria, desenvolveu-se dentro do campo da neurociência do comportamento, a neuropsicologia dinâmica, cujos princípios se aproximam aos da psicanálise por aceitar que as funções da fisiologia cerebral ocorrem na interação dinâmica de diversas áreas espalhadas pelo cérebro, e não resultante de uma localização num centro. Nestes termos, podemos afirmar que a psicanálise se comporta como uma neuropsicologia.

Luria quando escreveu seu último livro em 1976, parece que tinha esgotado os principais assuntos cognitivos, e se propunha a entrar num campo não abrangido pelo cognitivismo: motivação, emoções profundas e personalidade. Ele faleceu antes de iniciar seu projeto.
Freud descobriu que os conteúdos subjetivos da vida mental não são facilmente acessíveis à investigação científica. Forças poderosas trabalham para se oporem às tentativas de investigação de conteúdos privados da mente individual.

Freud classificou estas forças – que se expressam clinicamente como vergonha, culpa, ansiedade e outros – sob o nome de "resistências". Essas dificuldades ocorrem pelo fato de que as determinantes causais inferidas dos dados observacionais primários (acontecimentos mentais inconscientes que subjazem os processos de pensamento conscientes) não são conscientes por definição. Ele experimentou várias técnicas para vencer tais resistências (por exemplo: hipnotismo e técnica da pressão) e, com base nessas experiências, gradualmente desenvolveu a técnica psicanalítica definitiva da associação livre.

Tanto Freud como Luria sempre insistiram que para descobrir a organização neurológica do aparelho mental humano como compreendemos na psicanálise é necessário, em primeiro lugar, dissecar a estrutura interna psicológica das várias mudanças na personalidade, na motivação e na emoção complexa. Assim, os múltiplos fatores subjacentes produzindo esses sintomas e síndromes podem ser identificados, e cada um correlacionado com sua "cena de ação" neuro-anatômica.

Entretanto, devido às forças de resistência descritas, esses fatores não podem ser revelados pelas técnicas neuropsicológicas convencionais. Os testes psicométricos e técnicas de comportamento básicos, que os neuropsicólogos usam para acessar o estado mental dos pacientes neurológicos, foram destinados para a investigação das desordens das funções cognitivas de superfície. Para que possamos revelar a estrutura psicológica subjacente, profunda, das desordens da personalidade, motivação e emoção complexa que aflige o paciente neurológico, portanto, a técnica da associação livre deve ser introduzida dentro do método neuropsicológico de Luria.

Este tem sido o método neuro-psicanalítico por excelência, que evita as correlações isomórficas da psicanálise com a neurociência, e evita o reducionismo que leva à anulação do que é fundamental no método psicanalítico e do significado mais profundo de seus conceitos.

O que tem sido recomendado, e que se acredita proverá um pilar para uma consistente integração da psicanálise e neurociência, é uma plena investigação psicanalítica de pacientes com lesões neurológicas focais. Em outras palavras, o que se recomenda é o mapeamento da organização neurológica do processo mental humano que a psicanálise revelou, usando a versão modificada do método de Luria da análise da síndrome, pelo estudo da estrutura profunda das mudanças mentais nos pacientes neurológicos que podem ser discernidos dentro do setting psicanalítico.

Desde que as investigações psicanalíticas válidas só podem ser conduzidas no contexto do tratamento psicanalítico, o método investigatório que se recomenda tem um potencial de benefício secundário. Ele permite que se veja se e em que extensão o tratamento psicanalítico pode contribuir para a reabilitação de várias desordens de personalidade, motivação e emoção, que estão associados com o dano focal neurológico.

Os trabalhos dentro dessa metodologia neuro-psicanalítica vêm sendo realizados no campo das memórias, das emoções, dos sistemas motivacionais, do inconsciente trazendo contribuições valiosas para as duas ciências. Um exemplo onde as contribuições psicanalíticas têm sido muito ricas é no campo dos estudos da regulação afetiva, orientando as pesquisas da neurociência do desenvolvimento e psicologia do desenvolvimento, campo em que as chamadas relações de objetos, tão estudados por psicanalistas como Melanie Klein, Fairban e Mahler têm contribuído de forma inegável.

É no campo dos lesionados cerebrais onde mais se pode perceber a correlação e a complementação das duas disciplinas. Assim, por exemplo, os estudos dos estados conhecidos como de confabulação nos pacientes com lesão bilateral da região ventro medial no pré-frontal ou na síndrome de Korsakof, têm permitido a investigação psicanalítica que se realiza além das investigações neuropsicológicas.

Pelo método psicanalítico, têm-se podido evidenciar nessas manifestações confabulatórias as características especiais do sistema inconsciente em plena expressão, como trazidos por Freud, quais sejam:

1. a tolerância da contradição mútua; 
2. ausência do tempo; 
3. a substituição da realidade externa pela realidade psíquica; 
4. o processo primário (mobilidade da catexia).


Nas chamadas síndromes do hemisfério cerebral direito, que ocorrem nas lesões da região peri-silviana, geralmente por problemas de irrigação da artéria cerebral medial que provoca paralisia no lado esquerdo do corpo, ocorrem alguns sintomas exuberantes como:

1. anosognosia (inconsciência do déficit); 
2. anosodiaforia (aceitação intelectual com negação emocional); 
3. negligência (ignorância do lado esquerdo do espaço); 
4. misoplegia (obsessividade e ódio pela lesão) e apraxia espacial (dificuldade de atuar o espaço) etc.


Esse quadro, cujos sintomas são explicados coerentemente por teorias neuropsicológicas relacionadas com as perdas das funções do hemisfério direito e permanência das funções do hemisfério esquerdo, oferecem nas situações de investigações psicanalíticas a possibilidade de se descobrir motivações inconscientes, não acessíveis aos métodos neuropsicológicos comuns, que levam os indivíduos às manifestações de tais sintomas de negação da realidade dolorosa, sugerido que o hemisfério direito ausente tem a função psíquica de

realizar o luto pelas perdas, 
superar a melancolia, e 
desenvolver a capacidade relacional do indivíduo dos estados narcísicos para relações de objeto, propiciando, conseqüentemente, a ampliação de suas relações espaciais.


Yusaku Soussumi é membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo; membro fundador da Sociedade Internacional de Neuro-Psicanálise; e presidente do Centro de Estudos de Neuro-Psicanálise de São Paulo.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Kaplan-Solms, K.& Solms, M. Clinical studies in neuro-psychoanalysis – Introduction to a depth neuropsychology, London, Karnac Books.2000.
Luria, A.R. Human brain and psychological process, New York: Harper & Row. 1966.
Luria, A.R The working brain: an introduction to neuropsychology. New York: Basic Books. 1973.

domingo, 8 de março de 2015

A INVENÇÃO DA PSICANALISE (1997)

Documentário que mostra um vasto material fotográfico e vídeos raros como o de Jung descrevendo seu primeiro encontro com Freud e relato de Ernest Jones, e também as últimas imagens de Freud em seu apartamento em Viena, pouco antes do exílio em Londres, feitas por Marie-Bonaparte, neta de Napoleão Bonaparte. Traz ainda a única gravação em áudio da voz de Freud em entrevista à BBC de Londres em 07 de dezembro de 1938. Mostra, detalhadamente, a trajetória da psicanálise, desde seu nascimento até as direções tomadas no período após a morte de Freud, associando-a aos fatos históricos de cada época. Todo o filme é comentado por Elisabeth Roudinesco e Peter Gay, biógrafo de Freud.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

L'OPERA RESTAURANT

Desde 1875, quando foi inaugurado, o edifício da Ópera Garnier, uma das mais festejadas casas de espetáculos de Paris, está para ter um restaurante, como constava da ideia original de Charles Garnier. Depois de 136 anos, finalmente o restaurante L’Opéra foi aberto, por iniciativa de Pierre François Blanc


O prédio em estilo neobarroco, recheado de detalhes dourados e vermelhos, e com uma pintura de Marc Chagall a enfeitar o teto do teatro, pedia um projeto à altura. A arquiteta Odile Decq compôs formas orgânicas em gesso evidro, criando um mezanino e uma cortina transparente que avança e retrocede, acompanhando as linhas originais das colunas da Ópera.
As áreas novas são completamente distintas das antigas e dão a impressão de serem facilmente removíveis. No total, são 788 metros quadrados e três espaços diferentes: o salão, o bar-lounge e o mezanino. As mesas e as cadeiras foram desenhadas pela arquiteta, que escolheu como cor-base o vermelho que já é reconhecido como sua marca pessoal.












Na cozinha, o chef Christophe Aribert – duas estrelas no guia Michelin com o restaurante Les Terrasses, em Uriage Les Bains –, o chef-executivo Yann Tanneau e o chef-pâtissier Hervé Moreau propõem uma conjunção do clássico e do contemporâneo. 

Alguns pratos estão disponíveis nas duas versões, como o salmão da entrada – clássico com blinis e caviar, contemporâneo com brioche de raiz forte e sorbet de mostarda – e a “ópera” da sobremesa – clássica com café, chocolate e amêndoas, contemporânea com licor chartreuse, nozes e croque chocolat no pão massala.

Palais Garnier
Place Jacques Rouché, 75009 – Paris
Tel: +33 (0) 142 68 86 80

segunda-feira, 14 de maio de 2012

5 ESTÁGIOS DA VIDA




REFLEXÃO DO DIA

Porque aumenta assustadoramente o uso de diversos tipos DROGAS atualmente nas famílias? Para entendermos o que cada família sente EMOCIONALMENTE quando descobre que seu filho(a) está usando drogas, é preciso entender as fases das etapas do luto para traçar um paralelo entre a DROGADICÇÃO e as relações destas etapas das perdas.


5 Estágios de todas perdas que enfrentamos ao longo da vida:

1. NEGAÇÃO
2. RAIVA
3.BARGANHA (ESSA SE MANIFESTA MUITAS VEZES NA RELIGIOSIDADE DO INDIVÍDUO)
4. DEPRESSÃO
5. ACEITAÇÃO

Pois por mais que possam ter sido vividas de forma triste, traumática e frustrante, passaram a representar um estilo de vida de um sistema familiar disfuncional. 

Portanto, o fim dos papéis adotados e vividos dentro desta dinâmica familiar doentia, representa um luto. E por mais incrível que possa parecer, é uma despedida dolorosa, pois representava um movimento familiar já bem estabelecido durante anos e que agora, no caminho da recuperação, tende a se desfazer, o que envolve um corajoso mergulho de cada membro em busca de si mesmo, o que não é nada fácil. 

1º - FASE da NEGAÇÃO -- onde o doente se recusa a aceitar o diagnóstico de sua condição fatal. Devemos entendê-lo como um processo natural de defesa, tendo em vista o tamanho da dor experimentada e a incapacidade momentânea em suportá-la. 

Por isso essa negação de alguma forma vem aliviar o impacto da notícia, buscando acima de tudo um conforto e um suposto reequilíbrio emocional.

Já nos DEPENDENTES QUÍMICOS e em seus familiares, a NEGAÇÃO acontece de forma intensa assim que a doença começa a se manifestar ou nos primeiros sinais do uso contínuo de substâncias psicoativas. O dependente químico nega que é um doente por acreditar erroneamente que não consegue viver sem a substância de que tanto precisa: a droga, não suportando a ideia de abster-se do que se tornou dependente e que de alguma forma o “alivia” . 

No caso dos co-dependentes, além de negarem a doença de seu familiar, não só para se protegerem da dor e do sofrimento vivido, como também para, ilusoriamente “proteger” o seu dependente; negam também sua dependência emocional, pois acreditam ainda que a DINÂMICA FAMILIAR ESTÁ CAÓTICA APENAS EM FUNÇÃO DA DOENÇA E NÃO EM FUNÇÃO DO PRÓPRIO SISTEMA DISFUNCIONAL O QUAL ESTÃO INSERIDOS E SUBMETIDOS.

Olhar para o dependente químico e sua doença é uma forma que encontram de se protegerem de um emaranhado de sentimentos confusos e obscuros que os perseguem todo o tempo, como a impotência diante do outro, a culpa que acreditam pertencer-lhes e principalmente por não conseguirem reverter a situação. Carregam assim a ilusão de controle sobre o dependente químico e sua doença. 

Encontrar um novo modo de viver com responsabilidade e maturidade por suas próprias vidas e atos requer coragem, esforço e determinação. As antigas relações com o dependente químico, ainda que doentias, traziam a ilusão de segurança, pois de alguma forma já sabiam se posicionar e lidar com elas. Por isso, o novo passa a ser ameaçador.

Diante disto cabe a nós os PSICANALISTAS, os profissionais a traduzir com cautela essa defesa utilizada, oferecendo-lhes suficiente segurança para que possam enxergar com serenidade o que realmente está acontecendo em seu interior e no sistema familiar, encorajando-os, acima de tudo, às mudanças necessárias e mais saudáveis. 

2ª - FASE da REVOLTA e RAIVA -- Procuram culpar algo ou alguém por sua “condenação” e por ter sido “o escolhido” pela doença adquirida e manifesta. Queixa-se muito, reclamando atenção, numa tentativa de não se fazer esquecido. É muito comum a auto-piedade e as agressões verbais, como uma forma de mostrar que ainda está vivo. É uma fase onde familiares e profissionais devem entendê-la como uma manifestação de sua dor e não como uma agressão pessoal.

= “Porque isso está acontecendo comigo?”
= “O que fiz para merecer isto?”, 
= “Por que, Por que e Por que?” 

são os pensamentos e as frases mais presentes neste momento. 

Já nos DEPENDENTES QUÍMICOS como o alcoolismo e na drogadição, quando esse quadro se torna mais evidente o dependente químico demonstra raiva, apesar de interiormente sentir culpa e vergonha por estar preso e vencido pelo poder das drogas sobre ele. 

Os CO-DEPENDENTES, ou seja, FAMÍLIA == por sua vez, costumam culpar algo ou outras pessoas pela manifestação da doença de “seu” dependente, como más companhias, término de relacionamentos com esposas(os) ou namoradas(os), incompetência educacional do parceiro(a), etc.; ao mesmo tempo em que constatam que seus esforços para reverter esse quadro de nada adiantaram. 

Por isso sentem raiva. Raiva dos outros, raiva de si mesmos, raiva do dependente, da doença e da vida. 

Carregam frustração, revolta e ressentimento. Neste estágio é comum lançarem mão de atitudes mais enérgicas com o “seu” dependente, como também adotarem um papel de mártires num jogo silencioso e hostil. 

O objetivo final deste processo no tratamento é ajudá-los a se responsabilizarem por suas próprias atitudes e sentimentos, convidando-os a olharem para si mesmos e buscarem uma forma de lidar com sua própria vida, sem deixarem que a doença ou o dependente escolham por eles. É o melhor momento de se trabalhar o desligamento emocional. 
  • O desligamento emocional não é uma atitude fácil de se elaborar e aceitar. 
  • Quando percebem que sua RAIVA e/ou AUTO-PIEDADE são destrutivas, resistem mais uma vez em admitirem sua impotência diante do outro e não se “rendem” tão fácil assim. 
3ª FASE da NEGOCIAÇÃO == Vivem novamente a ilusão de controle da situação, interferindo no processo de responsabilidade e de escolha do dependente através de chantagens emocionais.

Questionam e resistem às orientações do profissional responsável e aos programas de recuperação, numa tentativa de negociarem seus desejos e vontades, muitas vezes inadequados, pois acreditam que ainda podem modificar o dependente.

Nosso papel como profissional é fazê-los entender e sentir que só é possível se responsabilizarem por suas próprias escolhas e mostrar-lhes a necessidade de abraçarem a própria vida.

Nas perdas vive-se também a expressado revolta e raiva pela perda e não conseguindo nenhum retorno, aceita então o fato de perder, mas tenta adiá-lo. E, tão logo reconheça que tais negociações se tornaram também sem efeito e impossíveis vivem então a quarta fase: 

4ª FASE da DEPRESSÃO == É comum fazer uma revisão de sua vida, passando por longos períodos em silêncio e de forma reflexiva. Aceita a perda é um período que precede a aceitação, a última fase; 

5ª FASE da ACEITAÇÃO == Aguardando então a evolução natural e ainda que tenha alguma esperança, neste momento a pessoa não se angustia mais. Busca apenas terminar algo que deixou por resolver, fazer suas despedidas com paz e tranqüilidade, se preparando assim para a proximidade do fim, ou seja, aceitar a perda com dignidade.

NO DEPENDENTE QUÍMICO e nos CO-DEPENDENTES – OS FAMILIARES se manifestará também da mesma forma, após uma nova constatação de que são de fato impotentes diante do álcool, das drogas e do outro e que não podem modificá-los. 

Um período de baixa emocional, chorando muitas vezes de forma silenciosa. Normalmente nesta fase concordam em procurar os grupos de mútua-ajuda e iniciam com mais facilidade o 1º Passo da Programação dos 12 passos: 
– “Admitimos que éramos impotentes perante o ÁLCOOL – que tínhamos perdido o controle de nossas vidas”.
– “Admitimos que éramos impotentes perante a nossa ADICÇÃO, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.”
- “Admitimos que éramos impotentes perante o ADICTO e que tínhamos perdido o controle de nossas vidas”. 

Infelizmente, muitos dependentes e co-dependentes param por aí, e se recusam a prosseguir até o último estágio de seu luto.

Preferem continuar sofrendo, prosseguindo no processo de dependência ativa, sendo mártires ou reféns da própria doença e da dependência emocional.

Resistem em prosseguir em direção a recuperação. Possivelmente continuarão sofrer por muito tempo ainda.

Neste momento de recaída emocional, é fundamental procurar o incentivo de outras pessoas, tanto dos grupos de mútua-ajuda como dos profissionais responsáveis para que continuem seu tratamento, aceitando seus próprios sentimentos e avançando assim até a última e necessária fase de seu trabalho de luto – a aceitação, estágio que se vivenciado leva-os enfim a uma efetiva mudança. 

Então, o sistema familiar muda, os papéis mudam, as pessoas mudam, o dependente químico muda.

De FAMÍLIA DISFUNCIONAL (família onde o relacionamento entre os seus membros são distorcidos, bloqueados e rígidos sem a permissão de mudanças em sua dinâmica) passa a ser uma família funcional (família onde existe confiança, respeito e cooperação entre seus membros e abertura para mudanças, mesmo em momentos difíceis), madura e saudável.

Encerram o processo de luto e finalmente aceitam a morte de seus relacionamentos dependentes e doentios. E só assim conseguem conquistar serenidade e a determinação em construir uma “nova” vida.

O dependente químico por sua vez, descobre que pode viver sem a bebida e as drogas e assim renasce.

E os co-dependentes = FAMILIARES = descobrem que podem se sentir confortáveis, apesar de sua impotência diante de “seu” dependente.

A incapacidade de modificar o comportamento do outro já não lhes tira mais o sossego, entregando a partir daí a responsabilidade da recuperação para o próprio dependente químico.

Enfim, aprendem realmente o que significa o desligamento emocional, passando a se importar com ele e não por ele e sentindo-se livres para amar e renascer após a perda, o luto e a morte de seus relacionamentos patológicos. Mas, tudo isso, vivendo “um dia de cada vez” e "só por hoje”.

Enfrenta As perdas de forma tranquila é a saída, mas é preciso desejar e investir na recuperação enfrentando o fim de seus relacionamentos doentios e resgatam suas próprias vidas, bem como a auto-estima e a autoconfiança.

A partir de então se estabelece uma dinâmica mais digna e saudável e de um gratificante processo de evolução pessoal, emocional e espiritual onde, se responsabilizar pelos próprios atos e sentimentos é o pleno exercício da liberdade.

A recuperação enfim, deixa de ser um fardo e se torna entusiasmo. E dizer “eu sou responsável” passa a ser uma alegria incontida.

Portanto, NEGAÇÃO, RAIVA, NEGOCIAÇÃO, DEPRESSÃO E ACEITAÇÃO são os 5 estágios do caminho para a elaboração de todas as perdas que percorremos até conseguir encontrar a serenidade e o resgate de suas próprias vidas.

Cássia Rodrigues

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PSICANÁLISE 23 - IPPC

PSICANÁLISE 22 - IPPC

PSICANÁLISE 21 - IPPC

PSICANÁLISE 20 - IPPC

PSICANÁLISE 19 - IPPC

PSICANÁLISE 18 - IPPC

PSICANÁLISE 17 - IPPC

DETERMINISMO PSÍQUICO E OS PROCESSOS MENTAIS INCONSCIENTE - PSICANÁLISE 16 - IPPC

PSICANÁLISE 15 - IPPC

PSICANÁLISE 14 - IPPC

PSICANÁLISE 13 - IPPC

PSICANÁLISE 12 - IPPC

PSICANÁLISE 11 - IPPC

PSICANÁLISE 10 - IPPC

PSICANÁLISE 09 - IPPC

PSICANÁLISE 08 - IPPC

PSICANÁLISE 07 - IPPC

PSICANÁLISE 06 - IPPC

PSICANÁLISE 05 - IPPC

PSICANÁLISE 04 - IPPC

PSICANÁLISE 03 - IPPC

PSICANÁLISE 01 - IPPC

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Psicanálise possibilita mais competitividade no mercado

corporativo

A Psicanálise, um dos pilares da investigação da mente e do comportamento humano, pode ajudar as pessoas a conhecerem a si próprias, lidarem com as pressões do dia a dia e a se relacionarem com os colegas de trabalho, sendo significativa na gestão empresarial

Visando um melhor posicionamento no mercado de trabalho, as pessoas investem cada vez mais em curso superior, pós-graduação, MBA, especialização e curso de idioma, se qualificando para vagas no topo da pirâmide corporativa. Atualmente, outro ponto crucial para se garantir um melhor posicionamento profissional no mundo corporativo é o autoconhecimento.

Segundo Paulo Giraldes, psicanalista e hipnólogo clínico com mais de 30 anos de experiência no mundo corporativo, conhecer a si próprio é fundamental, pois ajuda as pessoas a lidarem com as pressões do dia a dia e a se relacionarem com os colegas de trabalho.


A psicanálise, um dos pilares da investigação da mente e do comportamento humano, pode ajudar as pessoas a conhecerem a si próprias, sendo significativa na gestão empresarial. Percebendo isso, algumas empresas estão revendo seus projetos em RH e têm passado a investir em assistência psicanalítica aos seus funcionários, garantindo profissionais qualificados, comprometidos e bem resolvidos para o seu quadro de colaboradores.


Paulo Giraldes pontua que, em um mercado cada vez mais competitivo, a preocupação com a saúde psicanalítica de seus colaboradores passa a ser um grande aliado na redução de custos, na agilidade de um lançamento, na competitividade e na excelência daquilo que a empresa oferece, sejam produtos ou serviços. "Com a assistência, um colaborador produz mais e valoriza a empresa em que trabalha", afirma o psicanalista.


Paulo Giraldes


Psicanalista e hipnólogo clínico, atua desenvolvendo técnicas psicanalíticas associadas à hipnose, indicadas para os casos de fobias, neuroses, psicoses, transtornos alimentares, toxicomanias, depressão, ansiedade, problemas de relacionamento e sexualidade humana. Possui formação em Psicanálise Integrativa pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa, e especialização em Hipnose Clínica pela Academia Internacional de Hipnologia Clinica y Experimental, em Navarra na Espanha. Atualmente ministra aulas de Hipnose Clínica no curso de psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa, além de palestras e cursos para profissionais e em empresas.


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